Luciano de Samósata — O parasita

 

O Parasita — Luciano

Coleção Ideias Vivas

80 páginas — Fotos: Dayan Oliveira

Publicado em 2012

Editora WMF/Martins Fontes

Leia um trecho: lucianoLOW

Para comprar este livro:

Martins Fontes Paulista

Livraria Cultura

Saraiva

Anúncios
Publicado em Coleção Ideias Vivas (2011) | Deixe um comentário

Arthur Schopenhauer — Bastar a si mesmo

Bastar a si mesmo — Arthur Schopenhauer

Coleção Ideias Vivas

80 páginas — Fotos: Pedro Marinho

Publicado em 2012

Editora WMF/Martins Fontes

Leia um trecho: schopenhauerLOW

Para comprar este livro:

Martins Fontes Paulista

Livraria Cultura

Saraiva

Publicado em Coleção Ideias Vivas (2011) | Deixe um comentário

John Locke — Prazer, dor, as paixões

Prazer, dor, as paixões — John Locke

Coleção Ideias Vivas

80 páginas — Fotos: Elisete Borim

Publicado em 2012

Editora WMF/Martins Fontes

Leia um trecho: lockeLOW.pdf

Para comprar este livro:
Martins Fontes Paulista

Livraria Cultura

Saraiva

Publicado em Coleção Ideias Vivas (2011) | Deixe um comentário

“Nova coleção oferece saber com sabor”

O premiado designer paulista Gustavo Piqueira criou, dirige e fez o projeto gráfico de coleção explicitamente dedicada aos jovens leitores: a Ideias vivas (WMF Martins Fontes). Na contracapa dos volumes, o texto deixa claro o objetivo da empreitada: “Aproximar do público importantes textos filosóficos, para que eles possam cumprir o propósito de ajudar a cada um de nós na busca do autoconhecimento e da realização”.

Até agora já foram lançados Como distinguir o amigo do bajulador, de Plutarco (45-120); Diversão e tédio, de Pascal (1623-1662); e Sobre os enganos do mundo, de Sêneca (4 a.C.-65). Vêm aí Bastar a si mesmo, de Schopenhauer (1788-1860); O parasita, de Luciano (125-181); e Prazer, dor, as paixões, de John Locke (1632-1704). As datas de nascimento e morte dos autores podem gerar resistências. Mas o ousado design cuida de afastá-las com charme e eficácia dignos de nota.

A coleção, explica Gustavo Piqueira, surgiu da experiência dele como leitor. “Percebi que alguns textos da filosofia dita clássica poderiam ter interesse para o leitor comum, como eu, mas afastado por uma espécie de proibição invisível, aquele ‘não é para mim, não tenho erudição suficiente para encarar esse tijolo de 700 páginas escrito no século 2 com 200 notas de rodapé’. A ideia central do projeto foi, exatamente, remover essa barreira”, conta. “São textos para serem lidos e não estudados”, observa.

Para tanto, Gustavo trabalhou “por camadas”. Selecionou trechos menores, com temática menos específica, desenvolveu projeto gráfico com tom contemporâneo e optou por usar ensaios fotográficos com temas distantes do conteúdo textual.

 “O design é um discurso complementar, não apenas à filosofia, mas a quaisquer outros temas. Esse complemento não precisa, necessariamente, seguir o tema principal”, argumenta Gustavo Piqueira. “Há a possibilidade de o design andar num caminho diverso e, ainda assim, encaixar bem. Quase como o instrumento musical improvisando livremente sobre uma base”, defende.

O projeto já rendeu algumas reclamações: disseram que se trata de livros de filosofia, “com visual à la Restart”, em referência estética à jovem banda carioca. “Ri muito do comentário. Na verdade já esperava estranhamento com uma coleção toda colorida de textos ditos sérios. Como se uma coisa, necessariamente, excluísse a outra. Como se fosse proibido algo assim. Não é. Só não estamos habituados”, argumenta.

O fato pouco usual de um designer coordenar coleção com textos de filosofia ganha explicação provocativa. “Sou um designer peculiar. Escrevi 12 livros e me interesso por ideias, independentemente da linguagem na qual são expressas. Também costumo me intrometer em áreas nas quais não fui chamado”, avisa Gustavo Piqueira.

Um bom motivo para ler textos de filosofia e autores clássicos: “Tudo o que nos ajuda a entender melhor quem somos ou o mundo em que vivemos traz motivos mais que suficientes para nos interessar”, responde. (por Walter Sebastião)

publicado no Estado de Minas em 18.08.12

Publicado em Coleção Ideias Vivas (2011) | Deixe um comentário

Publicado na Folha de S. Paulo em 19.Ago.12

Publicado em A História Verdadeira (2012) | Deixe um comentário

Tava demorando…

(publicado n’O Globo em 29.07.12)

Está lá, no quarto parágrafo da resenha: “Luciano é bem atual”. Já no sétimo: “Sim, Luciano é um ficcionista, mas sua intenção não é apenas fazer rir. Mas será que isto importa quando lemos ‘A história verdadeira’? Não! Podemos apenas fluir com Luciano em seu saboroso desatino”. Tudo ótimo, tudo ótimo…

Tudo ótimo até tropeçarmos na edição. Em primeiro lugar, pecado mortal, “a concepção visual impressiona”. Pior: a tradução… Ah, a tradução. “(…) a fonte original nem é mencionada”, imagine só! Afinal, todos sabem que “o que difere uma obra de outra é o estilo de quem a escreve”. Como conclusão, “é difícil não lamentar que o mundo contemporâneo se deleite cada vez mais com a ideia de reduzir o passado aos seus próprios valores e medida.”

Escrevo isto, portanto, não como uma réplica ao artigo. Pelo contrário. Este texto não passa de um humilde e envergonhado pedido de desculpas, dirigido não apenas à autora como a todos os medievalistas do Brasil. Confesso, porém, ter imaginado que minha tradução relativamente fiel para A história verdadeira era uma opção, não um erro. Opção, aliás, assumida na capa e no texto introdutório do livro. Na minha cabeça, era possível tornar a obra acessível ao leitor de hoje sem precisar descaracterizá-la. Editar um livro para ser lido, não para ser estudado. Mesmo porque, até onde meu restrito conhecimento alcança, Luciano chegou aos dias de hoje como satirista, não como mestre do estilo literário. Não por coincidência, “Luciano influenciou Voltaire, Machado de Assis e Swift.” Eles tinham senso de humor, os três, não tinham? Um pouco iconoclastas também, não? Mas, que eu saiba, Voltaire não revolucionou a literatura francesa.

Sim, toda opção deixa algo para trás. No meu caso, a fidelidade formal e o contexto histórico deram lugar à fluidez da narrativa. E, já que estamos falando de ortodoxia, escolhas que a aproximaram da “edição” original muito mais do que a grande maioria das demais (ou você acha que Luciano incluiu notas explicativas em sua “edição” original? Ou que todos os que a leram decifraram, de primeira, todas as citações e menções do autor? Ou que sua linguagem não era reflexo de seu tempo presente?) Opção, portanto. Não erro. Escolha consciente daquilo que me pareceu uma boa possibilidade — não a única, mas a que me atraiu a conceber e desenvolver o projeto. Se, afinal de contas, Luciano é atual e o mundo contemporâneo carece de suas ideias, por que não difundí-las para além dos muros do feud… ops, da universidade? Por que não permitir que um número maior de pessoas possa “fluir com Luciano”?

Eu estava enganado, claro. Deveria ter sido mais reverente — dane-se que livro é um dos mais irreverentes da história. Mantido Luciano mumificado, enquanto o próprio avacalha sem piedade Homero, Platão e Sócrates — para ater-me aos mais sagrados. Deveria ter preservado o “estilo encantador” de Luciano, mesmo que isso restringisse sua leitura a doze pessoas (numa projeção otimista). Adicionado centenas de notas de rodapé, pois como rir de uma sátira sem o auxílio de duzentas e quinze notas de rodapé? Além de ter evitado ilustrações, capa dura…Cores! Como pude usar cores num livro clássico? Desculpe, desculpe, desculpe.

Mas sou esforçado e sigo aprendendo. A instrutiva leitura da resenha me ensinou, por exemplo, que um medievalista não apenas detem o saber avançado sobre a referida época, mas também absorve parte de seus valores — como tachar qualquer opção diferente da sua como “errada”. Pode me enviar o endereço da fogueira por email mesmo, ok? Prometo comparecer sem demora e expiar todos meus erros.

E, nunca é demais repetir: desculpe, desculpe, desculpe!!!

(Nota de rodapé: o primeiro parágrafo do artigo é uma pérola, repare só. Uma elegia a “um tempo bem diferente do nosso, no qual não se aplaudiam os vícios e nem se desprezavam as virtudes, como se os valores humanos fossem ninharias sem importância.” Grécia e Roma antiga, além da Idade Média. É verdade. Tempos áureos… O coliseu, onde não se aplaudiam os vícios. Tantos imperadores vivendo a virtude em estado puro. Inquisição, cruzadas e similares não tratando os valores humanos como ninharias sem importância… época boa, mesmo. Dá saudade, né?)

Publicado em A História Verdadeira (2012) | Deixe um comentário

Iconografia paulistana vem aí…

Publicado na Folha de S. Paulo em 21.07.12

Publicado em Iconografia paulistana (2012) | 1 Comentário

“… talvez a mais coloquial e irreverente (tradução) já feita.”

Publicado na Folha de S. Paulo, em 01/07/2012.

Publicado em A História Verdadeira (2012) | 1 Comentário

“Os exploradores do presente”

“Tidos como futurólogos, os autores de “sci-fi” se ocupam da crítica de seu tempo – desde as origens do gênero

Ursula Le Guin é alguém que entende do ofício de escrever histórias de ficção científica. A escritora, norte-americana, tem mais de uma dezena de livros do gênero publicados. Portanto, é difícil ignorar sua opinião quando discorre sobre a natureza de seu campo de produção. Na introdução de “A Mão Esquerda da Escuridão” (seu livro mais conhecido, disponível no Brasil pela editora Aleph), ela é categórica – “a ficção científica não prescreve, descreve”.

A máxima de Le Guin confronta as avaliações pouco argutas, que tomam as narrativas futuristas (apenas uma das vertentes da ficção científica) por tentativas de adivinhar os fatos vindouros. O certo é que, de fato, não faltam na história do gênero imaginações capazes de conceber tecnologias e configurações sociais que só mais tarde seriam possíveis de ser realizadas.

É o caso de um esboço de internet que figura no romance “Ubik”, do norte-americano Philip K. Dick. Na história, os personagens dispõem em ambientes domésticos de uma máquina que imprime uma série personalizada de notícias, conforme as preferências fornecidas pelo próprio leitor.

Também se encaixa neste grupo de futurólogos o baiano (e cearense de coração) Rodolfo Teófilo, que, em seu romance “O Reino de Kiato” (1922), imagina maravilhas que a eletricidade só mais tarde possibilitaria, como o ferro elétrico e os painéis eletrônicos (leia mais na página XX).

No entanto, o modelo descrito por Le Guin, da ficção científica como um retrato do presente, é, certamente, bem mais abrangente. É difícil encontrar, no gênero, quem não tenha se concentrado em falar de seu próprio tempo, de seu próprio espaço. O procedimento mais comum entre escritores (e quadrinistas, cineastas e qualquer outro narrador que trabalhe com o gênero) é tomar alguma tendência contemporânea de exagerá-la, como uma crítica aos rumos que se está tomando.


Origens

A relação entre a ficção científica e a crítica social é fundada no momento mesmo da origem do novo gênero. Se tomarmos por marco inicial desta nova literatura “A História Verdadeira“, escrita por Luciano de Samosata no século II da Era Cristã, encontraremos uma narrativa que trata de feitos impossíveis ao conhecimento humano à época, mas tendo por alvo os costumes e a literatura dos contemporâneos do autor.

O livro resistiu bem o tempo, e pode ser lido em português numa edição da Ateliê Editorial, com tradução de Gustavo Piqueira e ilustrações de Alexandre Camanho, Carlos José Gama e Jaca. A bela edição torna o livro um item obrigatório nas coleções dos amantes das letras da Antiguidade e, claro, da Fantasia e da Ficção Científica.

“A História Verdadeira” traz uma série de episódios que se desencadeiam a partir da viagem de uma nau pelos ares, alcançando a Lua. Luciano sonhou em chegar ao satélite natural da Terra quase 2 mil anos antes da Apollo XI alunissar e assistir aos primeiros e espetaculares passos do homem no deserto lunar. Cenário radicalmente oposto ao concebido pelo escritor persa: a Lua por ele imaginada era habitada por civilizações inteligentes (ainda que não muito espertas), povoada por seres fisicamente distinto dos homens (ainda que espiritualmente idênticos a nós).

Luciano não estava preocupado em especular sobre o que o gênio humano seria capaz de fazer, mas do que as vaidades e humores dos homens de seu tempo, efetivamente, já faziam. Assim, o livro – que não pode ser considerado um romance a despeito de sua extensão, por conta de sua irregularidade sequencial – pode ser incluído na tradição da sátira. Mas uma sátira que não se contentou com esse mundo, como a pensar que outros seriam possíveis – ainda que não mais felizes que o nosso.

A obra influenciou autores como o escritor irlandês Jonathan Swift, associado à literatura fantástica por suas “Viagens de Gulliver”, igualmente satíricas; e o filósofo francês Voltaire (cuja máxima dizia que o riso castigaria os imorais), que também se aventurou pelos caminhos desta crítica cujas vestes são as da ficção.

Rumo ao astro cor de prata

Ainda que seja considerado por muitos o criador deste novo gênero, ou eu precursor mais antigo, o livro de Luciano não foi capaz de estabelecer uma tradição. Até as últimas décadas do século XIX, a história da ficção científica é irregular, recebendo aqui e ali algum acréscimo. E, neste grupo de precursores, não faltaram aqueles que ousaram repetir a aventura de Luciano de Samossata. Voltaire e Cyrano de Bergerac, por exemplo, também enviaram seus personagens para a Lua e, de lá, estes trouxeram impressões distintas dos selenitas (como os habitantes da Lua são conhecidos).

Voltaire escreveu “Micrômegas”, texto difícil de descrever, mas correntemente chamado de “conto-filosófico”. Nele, o protagonista Micrômegas é um ser gigante de um planeta infinitamente distante do nosso. Acompanhado de um ser de outro planeta, gigante viaja pelo espaço e precisa passar pela Lua, antes de alcançar a Terra – aqui, ele segura uma caravela na palma de sua mão e compara suas dimensões a uma das unhas de sua mão. Voltaire até abdica de seu corrente humor ferino na narrativa, mas a usa para refletir sobre as diferenças e coincidências entre os homens e os povos.

Já Cyrano, como Luciano, concentra sua exploração na Lua. Em “Viagem á Lua” (mesmo título que ganharia, em 1902, o primeiro filme de ficção científica, dirigido pelo ilusionista francês Georges Méliès), Cyrano narra, em primeira pessoa, uma viagem ao astro prateado. Lá, o espadachim francês conheceu os povos selenitas e até se envolveu em seus conflitos. Na fantasia, combatia criaturas que, à despeito de suas aparentes diferenças, eram em quase tudo semelhantes aos (muitos) inimigos que o autor cultivou em seu tempo.

Explosão cósmica

Em fins do século XIX, o francês Jules Verne e o inglês H. G. Wells deram impulso a uma literatura que bebia da fonte do fantástico, para recriá-lo a partir do fascínio que, desde a Revolução Industrial, fascinava os homens. Em seus livros, o homem foi à Lua, mais uma vez, mas também alcançou o centro da Terra e os abismos dos oceanos; recebeu a visita pouco amistosa de raças de outros mundos e criou máquinas incríveis, fórmulas que permitiam a invisibilidade, dentre outros feitos assombrosos.

O efeito sobre o mundo literário foi o de contágio. Em todas as latitudes, escritores abusaram da confiança na ciência, e na desconfiança dos homens, para sonharem feitos impossíveis ao presente que conheciam. Mais que profetas, a ficção científica viu aparecer uma série de homens e mulheres de sensibilidade especial, capazes de captar grandes e pequenas perturbações que abalavam seu mundo.

Mais que futurólogos, autores como Edgar Rice Burroughs, Philip K. Dick, Isaac Asimov, Ursula Le Guin e William Gibson, lá fora; e Roberto de Sousa Causo, no Brasil, aproximaram a literatura da ciência. Não da engenharia, da química e da física, como seus personagens, mas das ciências sócias. Na ficção científica, a crítica- comum às ciências humanas – ganha uma nova expressão, no terreno em que o real não é sólido. É imaginação, mas não vã.”

publicado no diário do nordeste, em 03.06.12

Publicado em A História Verdadeira (2012) | Deixe um comentário

“Livro do século 2 que mistura narrativa surreal retorna às livrarias”

Um certo livro do século 2 abre o jogo na introdução: “você não encontrará pela frente uma única palavra verdadeira. Nenhuma. Escrevo sobre fatos que nunca vi nem vivi. De que nem sequer ouvi falar. Sobre o que não existe nem jamais poderia existir”. O autor corajoso é Luciano, natural de Samósata (Síria). O livro, intitulado A história verdadeira (Ateliê Editorial), direta ou indiretamente, é referência para a literatura fantástica e de ficção científica produzida adiante e influenciou autores como Júlio Verne. Mais do que isso, é um texto de sátira que brinca com ideias de filósofos e as grandes aventuras contadas na época de Homero. Ainda assim, a obra de Luciano é pouco popular.

“Mais até do que o sarro, a liberdade despreocupada ainda é uma lição aos dias de hoje, quase 2 mil anos depois. Desde entregar a ‘falsidade’ da narrativa na introdução, as viagens absurdas da Parte 1 até as piadas com Platão, Sócrates, estoicos e demais correntes na Parte 2, Luciano não tem freios”, diz Gustavo Piqueira, que assina uma tradução “relativamente fiel”. Que os puristas tenham calma, porém. O escritor e ilustrador explica, nas primeiras páginas, que ao material original, fora as imagens assinadas por outros três artistas gráficos, “nada foi suprimido, nada foi acrescentado”. Ele é tão irônico quanto o próprio Luciano.

publicado no Correio Braziliense, em 08.06.12

Publicado em A História Verdadeira (2012) | Deixe um comentário