“Obra do designer Gustavo Piqueira brinca com diferentes aspectos da cidade”

SONY DSCFlavio Gagliardi Neto é um arquiteto e urbanista que estuda os absurdos dos nomes de edifícios paulistanos. Joana Bosgouet é uma antropóloga imbuída da nobre missão de encontrar a onça-parda – animal símbolo de São Paulo – pela cidade. Avant Brand trabalha com publicidade e vê na arte de rua uma oportunidade.

Esses são alguns dos tipos fictícios, mas muito verossímeis, criados – e encarnados – pelo escritor e designer Gustavo Piqueira. Estão no engraçado livro Iconografia Paulistana (WMF Martins Fontes, 320 pág., R$ 49), recém-lançado.
 
Apesar do pomposo título, Iconografia Paulistana mistura imagens reais – o autor coletou mais de 5 mil pelas ruas de São Paulo – a textos fictícios e bem-humorados, mostrando situações do dia a dia paulistano que beiram o nonsense. “A seleção das imagens foi um processo exaustivo”, comenta Gustavo.
 
Há arte urbana de conteúdo duvidoso, ridículos nomes de edifícios, estranhos restaurantes japoneses, um inusitado lado da Avenida Paulista… “A ideia do livro surgiu um pouco por eu achar que existem coisas em São Paulo que são a cara da cidade, mas não se enquadram nas caras mais oficiais”, diz ele. “Os absurdos são tão absurdos que nem parecem reais. Mas isso porque estão agrupados. No livro, causam espanto.”
 
O capítulo dos nomes dos prédios, por exemplo, é bastante emblemático na obra. Há variações florentinas: Firenze, Florenza e Florence; homenagens monarquistas: King Arthur, Príncipe de Navarra e Marquês de Valença; e até o Edifício Arrastão. A arte urbana – no contexto em que a cidade procura afirmar-se como capital do grafite – também revela facetas cômicas, como a pichação que diz “A cerveja está te vendo”.
 
Na introdução de sua Iconografia, Piqueira defende que a metrópole vive hoje um momento especial. “Aquele em que a cidade parece ter, enfim, enterrado os complexos que a afligiam desde que o dinheiro do café transformou a tímida vila provinciana em histérica metrópole (…) O velho finalmente está morto e a vocação cosmopolita de São Paulo irrompe livre, incontrolável.”
 
Autor. Aos 40 anos, o paulistano Gustavo Piqueira é dono da Casa Rex e acumula mais de 150 prêmios internacionais de design. Como autor, já publicou 12 livros, entre eles o irônico Manual do Paulistano Moderno e Descolado e o quase documental São Paulo, Cidade Limpa, em que criou enredos de ficção para mostrar as mudanças da cidade após a lei que proibiu outdoors e limitou os letreiros das fachadas.
Estadao_IP_dez12b
Anúncios
Esse post foi publicado em Iconografia paulistana (2012). Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s